O Cisne e o Trompete - E.B. White
Confira a resenha de O Cisne e o Trompete, um livro clássico de E. B. White, e descubra uma história linda sobre amizade, coragem, responsabilidade e superação.
Camila C. Dalleprane


Sinopse
Um clássico da literatura infantil que atravessou gerações, do mesmo autor de A Teia de Charlotte e Stuart Little.
Louis é um cisne da espécie cisne-trombeteiro, mas, diferente de sua família, nasceu mudo. Com dificuldade para se comunicar, ele não consegue declarar seu amor à linda e doce Serena, por quem é apaixonado. Sabendo que o filho está apaixonado e preocupado com sua dificuldade para se expressar, seu pai rouba um trompete, acreditando que, por meio da música, talvez Louis consiga enfim encontrar sua voz. E, com a ajuda do trompete e de seu amigo Sam Beaver, um mundo de novas aventuras e desafios se abre para Louis.
Do mesmo autor de A Teia de Charlotte e Stuart Little, O Cisne e o Trompete é uma adorável e sensível narrativa que une as ilustrações de Fred Marcellino ao texto de um dos autores mais importantes da literatura infantil, E. B. White, para contar uma história sobre superação e o poder da música.
Resenha
Escrito por E. B. White, O Cisne e o Trompete é uma história delicada, divertida e cheia de aventuras, que fala sobre encontrar a própria voz, enfrentar as dificuldades e assumir responsabilidades.
Louis é um jovem cisne-trombeteiro que nasce sem conseguir emitir o som característico de sua espécie. Desde cedo, ele percebe que essa limitação o impede de se comunicar com sua família e com os outros cisnes. E isso se torna ainda mais difícil quando Louis se apaixona por Serena e deseja declarar seus sentimentos a ela.
Determinado a encontrar uma solução, Louis aprende a ler e escrever com a ajuda de seu amigo humano, Sam Beaver. Mas logo descobre que existe um pequeno problema: os outros cisnes não sabem ler.
É então que seu pai, sabendo que o filho está apaixonado e preocupado com sua dificuldade para se comunicar, encontra uma solução bastante inusitada: rouba um trompete de uma loja de instrumentos musicais para que Louis possa utilizá-lo como sua voz.
E é a partir desse momento que a história ganha novos caminhos.
Aliás, uma das coisas de que mais gostei no livro foi justamente a relação entre os pais de Louis. Seu pai é um personagem muito divertido: extremamente preocupado com o filho, cheio de ideias e bastante convencido de sua própria sabedoria. Já sua mãe costuma assumir o papel de voz da razão, equilibrando os impulsos e as ideias do marido. A interação entre os dois é leve e engraçada e traz momentos de humor para a narrativa.
Louis aprende a tocar o instrumento e descobre uma maneira de se expressar. Mas o trompete também traz consigo uma responsabilidade: afinal, ele foi roubado. E é justamente nesse ponto que a história deixa de ser apenas uma aventura sobre um cisne que toca trompete e passa a apresentar questões muito interessantes sobre caráter e responsabilidade.
Louis não aceita simplesmente o benefício que recebeu. Ele se incomoda com o fato de seu pai ter cometido um erro e decide que precisa reparar aquilo. Em vez de fugir da situação, assume para si a responsabilidade de conseguir o dinheiro necessário para pagar pelo trompete.
Foi uma das coisas de que mais gostei no personagem, pois ele poderia simplesmente seguir sua vida, mas escolhe fazer aquilo que considera certo. Para conseguir cumprir seu objetivo, ele precisa trabalhar, enfrentar desafios, aprender a lidar com diferentes situações e superar várias limitações. E é nesse processo que sua jornada se torna também uma jornada de amadurecimento.
Nesse caminho, a amizade com Sam Beaver ganha um papel muito especial. Sam é um dos primeiros humanos a compreender Louis e se torna um grande companheiro em sua trajetória. É ele quem o ajuda a conhecer o mundo dos humanos e também contribui para que Louis encontre oportunidades de usar seu talento musical.
A relação entre os dois é muito bonita. Existe carinho, confiança e companheirismo, e a amizade deles mostra como alguém pode fazer diferença em nossa vida simplesmente por acreditar em nós e estar disposto a ajudar.
Também achei interessante a maneira como o trompete deixa de ser apenas uma solução para o problema de Louis e passa a representar algo muito maior. Aquilo que inicialmente surge como uma alternativa para sua dificuldade de comunicação acaba revelando um talento e uma verdadeira forma de expressão.
Louis não encontra apenas uma “voz”. Ele encontra uma habilidade que lhe permite conquistar seu espaço e, ao mesmo tempo, transformar sua própria vida.
E talvez seja justamente essa uma das mensagens mais bonitas da história: ser diferente não significa ser incapaz.
Louis enfrenta obstáculos durante sua jornada, mas não desiste diante deles. Ele procura soluções, aprende, trabalha e assume as consequências de suas escolhas. E tudo isso acontece dentro de uma aventura divertida, sem que os ensinamentos pareçam forçados.
A história consegue falar sobre perseverança, amizade, responsabilidade, honestidade e aceitação das diferenças de uma maneira natural, através das experiências dos próprios personagens.
Outro ponto de que gostei bastante foi a linguagem. O Cisne e o Trompete possui uma escrita muito acessível e uma leitura bastante fluida, o que torna o livro especialmente agradável para crianças que já estão começando a se aventurar em histórias um pouco mais longas.
Apesar de ser uma história infantil, acredito que ela também pode despertar reflexões interessantes nos adultos. Afinal, encontrar a própria voz é importante, mas saber o que fazer com ela também é. Louis aprende que talento e liberdade caminham juntos com responsabilidade, e que conquistar aquilo que desejamos também envolve esforço e integridade.
Eu gostei muito de O Cisne e o Trompete. Achei uma história encantadora, divertida e, ao mesmo tempo, cheia de valores que podem ser apresentados às crianças de uma maneira leve e natural.
Louis é um personagem que tem muito a ensinar, principalmente por sua capacidade de enfrentar dificuldades sem desistir e por compreender que nossas escolhas também trazem responsabilidades.
Para mim, é uma ótima indicação para crianças de 5 a 9 anos, especialmente para aquelas que gostam de histórias com animais, aventura e personagens que precisam superar desafios.
Uma leitura doce, divertida e cheia de significado, que nos lembra que todos nós temos uma voz — e que encontrar a nossa pode ser apenas o começo da jornada.
Obrigada por me acompanhar em mais uma viagem literária. Até a próxima!


Se interessou pelo livro?
O Cisne e o Trompete
240 páginas
Editora HarperCollins


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