#1 Além do Planeta Silencioso - C.S Lewis (Trilogia Cósmica)

'Além do Planeta Silencioso' é uma ficção científica que transcende o espaço e se torna uma reflexão sobre humildade, espiritualidade e o verdadeiro lugar do homem no cosmos.

C.S. Lewis Beyond the Silent Planet book cover on a red and sand textured background.
C.S. Lewis Beyond the Silent Planet book cover on a red and sand textured background.
Sinopse

A Trilogia Cósmica criada por Lewis é resultado de uma aposta entre ele e seu grande amigo J.R.R. Tolkien. Segundo relatos, os temas foram decididos no cara ou coroa: Lewis ficou com viagem no espaço, e Tolkien com viagem no tempo.

A famosa amizade entre os dois foi eternizada pela criação do personagem principal, Elwin Ransom, professor e filólogo, assim como Tolkien. Nessas aventuras de Dr. Ransom pelo espaço, encontramos criaturas mágicas, um mundo de encantos, batalhas épicas e revelações de verdades transcendentes.

O primeiro livro da aclamada Trilogia, Além do planeta silencioso, inicia as aventuras do notável Dr. Ransom. Sequestrado por um físico megalomaníaco e seu cúmplice, ele é levado em uma espaçonave ao planeta vermelho de Malacandra para o que pensa ser um sacrifício humano. Mas, quando chegam ao destino, Ransom escapa e se depara com outras formas de vida, enquanto pouco a pouco descobre que tem um papel central em uma trama cósmica.

Resenha

O universo é extenso e belo; seria muita prepotência supor que ele foi feito somente para nós, seres humanos limitados e imperfeitos. Além do Planeta Silencioso, o primeiro volume da Trilogia Cósmica, nasceu de uma aposta entre C.S. Lewis e J.R.R. Tolkien: enquanto o primeiro escreveria sobre viagens espaciais, o segundo ficaria responsável por uma história sobre viagens no tempo.

Lewis honrou o desafio e, em 1938, deu vida ao protagonista Ransom, um filólogo inspirado em seu grande amigo Tolkien. Na trama, o personagem é surpreendido logo de início ao ser sequestrado por Devine, um antigo conhecido, e pelo cientista Weston, que o levam em uma jornada forçada rumo a Malacandra, o lugar que conhecemos como Marte.

Durante o trajeto, a compreensão sobre sua localização e sobre o que estava em jogo surgiu gradualmente. O susto inicial de se ver no espaço deu lugar, com o passar dos dias, a uma resignação silenciosa. No entanto, ao perceber as reais intenções de seus captores, Ransom decide que a fuga seria sua única saída assim que pisassem em solo malacandriano.

A experiência da chegada é narrada de forma sensorial: “Ele se alegrou, e a intensidade do seu desejo de pegar aquele novo mundo em um olhar não foi satisfeita. Ele não viu nada, a não ser cores, que se recusavam a se transformar em coisas. Além disso, ele não sabia de nada para o qual valesse a pena olhar: não se pode enxergar as coisas a não ser que se tenha pelo menos ideia do que elas são.”

Essa incapacidade de processar o que via, gerada pela falta de conceitos para as formas e cores de Malacandra, começa a mudar após sua fuga desesperada. Ao embrenhar-se nas florestas avermelhadas, ele encontra os Hrossa: criaturas peludas, inteligentes e profundamente ligadas à natureza. Sendo um filólogo, Ransom percebe que o medo do desconhecido se dissipa através do diálogo. Ao aprender a língua nativa, o protagonista deixa de ver apenas cores confusas e passa a enxergar um mundo vivo, sagrado e organizado. O que antes era uma paisagem alienígena torna-se uma lição de humildade sobre o lugar do homem no cosmos.

A jornada de Ransom, contudo, vai além do choque cultural; ela toca em uma dimensão espiritual profunda. Ele percebe que o espaço não é um 'vácuo' frio e vazio, mas um oceano de luz e vitalidade que desafia a visão materialista de seus sequestradores. Nesse novo mundo, a realidade é governada por uma hierarquia celestial invisível aos olhos humanos, onde a obediência e a harmonia com o divino são as bases da existência. Ao contrário da Terra, Thulcandra ou 'Planeta Silencioso', que parece ter perdido sua conexão com o sagrado, Malacandra preserva uma pureza onde o conhecimento e a adoração caminham juntos.

Essa espiritualidade não é imposta por sermões, mas revelada através da ordem natural e da sabedoria simples dos habitantes. Lewis nos convida a refletir: seriam os alienígenas os 'estranhos', ou seríamos nós, mergulhados em nosso próprio egoísmo, os verdadeiros exilados do resto do universo?

A experiência em Malacandra revela-se ainda mais rica quando o protagonista nota que os Hrossa partilham o ambiente com outros povos distintos, como os intelectuais Sorns e os habilidosos Pfifltriggi. Essa convivência pacífica entre espécies diferentes serve como uma crítica à humanidade, expondo nossa tendência ao domínio.

Ao final, o que começou como um sequestro traumático transforma-se em um rito de passagem. Ransom deixa de ser apenas um observador passivo para se tornar um elo entre mundos, compreendendo que sua verdadeira batalha não era contra seres de outro planeta, mas contra suas próprias limitações. O convite para a continuação dessa saga é selado com uma advertência que ecoa com o peso de sua nova consciência:

“Você não é culpado de nenhum mal, Ransom de Thulcandra, a não ser por um pouco de medo. Para isso, a jornada que você está prestes a iniciar será a sua dor, e talvez a sua cura, porque ou você ficará louco ou valente antes que ela termine.”

Obrigada por me acompanhar nessa viagem até Malacandra! Nos vemos na nossa próxima jornada literária.

Illustrated banner featuring a woman reading with cats, purple roses, and paper planes on a dark background.
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C.S Lewis

784 páginas

Editora Thomas Nelson Brasil

Cover of Trilogia Cósmica by C.S. Lewis featuring a planetary landscape illustration.
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Watercolor floral border featuring pink and purple roses with green leaves on a white background.
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